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Cleber Augusto: a voz do Samba na ponta dos dedos

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Cleber Augusto_Tyno Cruz

Retratos do Samba.®, por Tyno Cruz* (Fotografia) e Denise Carla (Pesquisa e Texto) 

Cleber Augusto_Tyno Cruz

Cleber Augusto, por Tyno Cruz

Compositor, instrumentista e exímio violonista, de seis e sete cordas, Cleber Augusto da Cruz Bastos, filho de Ari Bastos e Odeth da Cruz, ambos falecidos, nasceu no dia 4 de agosto de 1950, em Ramos, subúrbio do Rio de Janeiro, mas tem uma forte ligação com a Ilha do Governador, onde morou em diversos bairros insulanos, como a Colônia de Pescadores Z10, Moneró, Tauá, Bancários e Cacuia.

 

Fã de Rock, estilo musical que fazia a cabeça de boa parte dos jovens na década de 60, Cléber viu a música entrar de vez em sua vida após o irmão Odair deixar de lado um violão que havia comprado. Despertava ali o interesse do jovem, que não só aprendeu a tocar o instrumento com maestria, como desenvolveu um estilo peculiar para criar harmonias criativas e melodias puras e precisas.

 

 

 

“Mas cuidado não vá se entregar
Nosso caso não pode vazar
É tão bom se querer
Sem saber como vai terminar
Onde a lucidez se aninhar

Pode deixar
Quando a solidão apertar
Olhe pro lado
Olhe pro lado
Que eu estarei por lá…” (Lucidez, com Jorge Aragão)

 

A carreira como violonista começou aos 20 anos e com forte influência de grandes músicos e artistas da época, como Manuel da Conceição, Baden Powell, João Bosco, entre outros, o que moldou o seu gosto musical com ritmos genuinamente brasileiros, como a bossa nova, MPB, chorinho e samba. Mas antes de encontrar-se com o Cacique de Ramos e com o grupo Fundo de Quintal, Cleber tocou guitarra em bandas de outros gêneros como o iê-iê-iê.

 

Formou-se em Arquitetura mas não chegou a exercer a profissão. Optou por dedicar-se totalmente à música. Nos anos 80 passou a frequentar o Cacique de Ramos e participou do movimento que não só revolucionou o mundo do samba como revelou, além do grupo Fundo de Quintal, artistas como Almir Guineto, Arlindo Cruz, Zeca Pagodinho, Jorge Aragão, Sombrinha, entre outros. Tornou-se um dos principais compositores do FDQ durante os 24 anos em que por lá ficou.

 

Compositor inspirado, Cleber é autor de sucessos como “Lucidez” e “Minhas Andanças” em parceria com Jorge Aragão, “A Amizade”, com Bicudo e Djalma Falcão e ainda “Romance dos Astros” com Luiz Carlos da Vila e Bandeira Brasil. As parcerias se estendem a outras feras da nossa MPB, como Nei Lopes, Aldir Blanc e Mauro Diniz, só pra citar alguns.

 

 

“Sempre tardei para chegar da boemia
Hoje bem sei, dos limites passei, folia
Entre umas e outras
Muitas conversas a soltas
E sempre uma saideira
Assim foi a noite inteira…” (Minhas andanças, com Jorge Aragão)

 

Depois de 21 anos no Fundo de Quintal, onde participou de 21 discos gravados pelo grupo e emplacou 23 composições de sua autoria, em 2004 Cleber decidiu seguir carreira solo e manteve as parcerias emplacando sucessos que são cantados por ícones da música brasileira até hoje. Mas pouco tempo depois foi diagnosticado com um câncer que atingiu suas cordas vocais, de forma irreversível, e passou por uma laringectomia total (retirada de toda a laringe). Ele perdeu completamente a voz (se comunica com a ajuda de dispositivos tecnológicos). No entanto, guerreiro e inspirado, mesmo sem poder mais cantar, optou por seguir sua carreira musical, agora apenas tocando os seus sucessos e acompanhado por cantores, como Darlan Arruda, a sua voz nos shows.

 

 

“Mas minha voz não vou calar, eu vou cantar
Mesmo sem meu bem o show vai continuar
Quem dera que o som da emoção me fizesse voltar

Mas a voz do coração me diz

Que o meu sonho ainda vai ser feliz, pois é
Hei de ver você surgindo na platéia me aplaudindo
Me sorrindo e até pedindo bis…” (Quantas cancões, com ….)

 

Em 2015, Cleber participou da campanha ‘A Voz do Cigarro’, uma ação desenvolvida pela agência NEOGAMA/BBH em que voluntários gravaram frases sobre o hábito de fumar postadas por jovens no Twitter para mostrar como é a voz de quem passa por uma laringectomia total em decorrência da doença – muitas vezes fraca ou metalizada pelo uso de um aparelho chamado de laringe eletrônica. A campanha foi criada para a Associação de Defesa da Saúde do Fumante (Adesf), ONG de São Paulo que combate o tabagismo há mais de 20 anos, e que usou a internet para “conversar” com os jovens sobre os malefícios do consumo do cigarro.

 

Campanha A voz do Cigarro

 

Em 2010, aconteceu o projeto ‘Sua voz, meu violão’, um show com as músicas compostas por Cleber Augusto, tocadas por ele e cantadas por diversos sambistas e amigos.

 

Recebeu, em 2012,  a Comenda Cacique de Ramos 50 Anos, na quadra que o revelou para o mundo do samba; e em abril de 2016, foi agraciado com o título de Cidadão Paulistano, honraria máxima da Câmara Municipal, numa iniciativa do vereador Alessandro Guedes (PT) e que reuniu personalidades da música popular e de movimentos culturais.

 

E em 2014, o projeto ‘A voz calada do samba’, de Lucas Inácio, então aluno da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), foi um dos contemplados do Curtas Universitários daquele ano, fruto de uma parceria entre a Globo, o Canal Futura e a Associação Brasileira de Televisão Universitária (ABTU) que busca integrar as produções dos estudantes de graduação ao mercado audiovisual no Brasil. O documentário, que foi exibido pelo canal Futura, conta com depoimentos de parceiros e amigos do sambista, como Arlindo Cruz, Nei Lopes, Sombrinha, Djalma Falcão e Jorgynho Chinna, e também das duas filhas de Cleber: Carien Bastos (que é produtora musical) e Bianca Bastos.

 

 

Ao ouvir Cleber Augusto tocar, não resta nenhuma dúvida de que ele continua a nos emocionar através dos acordes e harmonias do seu violão e das notas mágicas que executa. Toda a musicalidade, e essa vem do fundo da sua alma, reflete na ponta dos seus dedos. E é quando se percebe que a sua voz está ali, em seu dedilhar, e mais firme do que nunca! E o nosso coração de sambista a escuta. E canta junto com ela. Acompanhados por ele…

Obrigada, poeta!

 

 

“Amigo, hoje a minha inspiração
Se ligou em você
E em forma de samba
Mandou lhe dizer
Tão outro argumento
Qual nesse momento
Me faz penetrar
Por toda nossa amizade
Esclarecendo a verdade
Sem medo de agir
Em nossa intimidade
Você vai me ouvir

 

Foi bem cedo na vida que eu procurei
Encontrar novos rumos num mundo melhor
Pra você fique certo que jamais falhei
Pois ganhei muita força tornando maior
A amizade…
Nem mesmo a força do tempo irá destruir
Somos verdade…
Nem mesmo este samba de amor pode nos resumir

 

Quero chorar o seu choro
Quero sorrir seu sorriso
Valeu por você existir amigo…” (A amizade, com Djalma Falcão e Bicudo)

 

Algumas composições de Cleber Augusto:

 

  • A amizade (com Bicudo e Djalma Falcão)
  • Brasil nagô (com Mário Sérgio e Djalma Falcão)
  • Ciranda do povo (com Aldir Blanc)
  • Coisas do passado (com Djalma Falcão)
  • Deixa estar
  • Divina luz (com Sereno e Mauro Diniz)
  • Falso herói (com Bicudo e Djalma Falcão)
  • Ganzá do Seu Leitão (com Nei Lopes)
  • Guadalupe e Sulacap (com Nei Lopes)
  • Livre pra sonhar (om  Ronaldinho e Mário Sérgio)
  • Lucidez (com Jorge Aragão)
  • Minhas andanças (com Jorge Aragão)
  • Motivos (com Bandeira Brasil)
  • Ópio (com Bandeira Brasil)
  • Palco iluminado (com Djalma Falcão)
  • Ponto final (com Djalma Falcão)
  • Pra não te magoar (com Jorge Aragão e Franco)
  • Romance dos Astros (com Luiz Carlos da Vila e Bandeira Brasil)
  • Timidez (com Bicudo e Djalma Falcão)

 

Fanpage do Cleber Augusto

 

 

Em tempo: vocês podem conferir todas as belíssimas fotografias de Tyno Cruz no Instagram | Contatos: tynocruzfotografia@zipmail.com | WhatsApp: (21) 99738-6237

 

 

*Tyno Cruz é fotógrafo e colabora como parceiro do Site Papo de Samba, cedendo fotos para a coluna Retratos do Samba.®, desde 2017; e Denise Carla é Diretora de Conteúdo do portal.

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